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O que é isto?


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Diário do Fantasma do Ipiranga: Feliz Natal

Acordou na madrugada de um sono leve. Há tempos não sabia o que era dormir de verdade. O quarto era quente – laje sem cobertura, – o calor do ambiente e o ressonar das pessoas encostadas na parede ao lado não lhe proporcionavam o descanso, tudo o que precisava e lhe era caro. Logo a ele, que se achava tão justo.

Olhando o teto escuro tentou se lembrar daquele rosto, atmosfera tão necessária. A boca que amava, dentes brancos e aroma de menta, sorriso que acendia estrelas. Os olhos de brilho intenso, fazendo de cada noite um dia ensolarado de nuances alaranjadas, rosadas, vermelhas, uma gama de cores que lhe alegravam.

Tentou ainda se lembrar do cheiro, aquele mesmo que lhe impregnou as narinas no primeiro encontro e lhe invadiu imediatamente a corrente sanguínea, espalhando pelo corpo um jardim de possibilidades, agora impossíveis. E a voz, aquela que lhe acalmava, sonata de Bach.

Na penumbra do quarto, junto ao teto, um rosto por pouco se formou. Quase foi possível reconhecer traços, o nariz grande, as marcas tão conhecidas da puberdade, cabelos ondulados voando ao vento que não mexia as cortinas. Seria? Percebeu que não se lembrava mais de nada. Lembrou-se somento dos tiros, o sonho acabou mais uma vez.

Na madrugada – fodam-se os vizinhos! – colocou no volume máximo um CD no disk player. Eddie Vedder, nos versos de Black, decretou que nunca mais seria feliz. E nunca mais foi. Nem ele, nem ninguém.



24/12/2010 Publicada por Claudio Olivio


Ando preocupada. Sumiu, e aparece com um post desses?? Espero que esteja bem..

25/12/2010 23:54 Isa isabelledresch@hotmail.com
Resposta:
Tá tudo bem, só muito cansado, Isa. Beijão!

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